Respiração por Roberto Gunther

A respiração é, do ponto de vista fisiológico, um fenômeno vital espontâneo. Ela se dá, automaticamente, pelo movimento do diafragma – músculo que separa a cavidade torácica da abdominal – e dos músculos abdominais e intercostais, comandados pelo cérebro. De forma natural, o processo de respiração começa de baixo para cima, expandindo-se os músculos abdominais e intercostais, devido ao abaixamento do diafragma e depois, um leve levantamento do tórax, pela  ação da referida musculatura.

Durante a respiração ocorre uma troca do gás carbônico, que está no sangue, por oxigênio, que vem do ambiente. Para evitar a falta de oxigênio no corpo, o cérebro envia ao diafragma o comando de se contrair e sugar o ar para dentro dos pulmões, num movimento de fole, a que se dá o nome de inspiração. À ela segue-se um instante de repouso, para em seguida dar-se a expiração. Este é o movimento de expulsão do ar, devido à pressão do diafragma retornando à sua posição de repouso. O diafragma realiza uma pulsação contínua de bombeamento de ar para dentro do corpo, por controle vegetativo, de forma semelhante ao feito pelo coração no bombeamento de sangue.

Com o passar do tempo, conforme seu desenvolvimento, o ser humano abandona o esquema abdominal-intercostal ou costo-diafragmático, adotando, sem perceber, o esquema torácico-clavicular, responsável por grande desgaste físico e por muitos males, tais como cardiopatias, problemas posturais, disfonias, ansiedade e outros.

O ato de cantar interfere, pela ação da vontade, sobre a continuidade e regularidade espontânea do “pulso respiratório”. No Canto, uma inspiração correta não deve ser buscar o ar mas, permitir que ele entre nos pulmões devido à elasticidade na região do diafragma, à abertura da glote e vias respiratórias e à postura correta. Na expiração, o ar deve ser empregado para produzir a pressão necessária na produção e projeção do som. Como foi citado, anteriormente, na respiração vital, após o repouso inspiratório, o diafragma sobe e empurra o ar para fora. Já na respiração vocal, esse retorno deve ser dominado e controlado.

O diafragma, não sendo um músculo sobre o qual se tem uma ação direta, precisa de ser atingido, indiretamente, pela musculatura abdominal e intercostal, e educada para a obtenção do  Apoio Diafragmático – a combinação e utilização corretas da musculatura envolvida no processo de controle da respiração vocal. É fundamental o uso correto do diafragma, caso contrário a laringe assume a função de apoio, fazendo com que, neste caso, a voz saia com esforço,  dificultando a boa emissão.

Durante a emissão do som, deve-se fazer uma leve pressão abdominal (na região do baixo ventre, quatro dedos abaixo do umbigo), prestando atenção à atuação dessa parte da musculatura, principalmente nas notas mais agudas. Cada tom, dependendo da altura e da intensidade exige uma certa energia que é fornecida pela quantidade e pelo controle do ar. O Canto exige, de quem o executa, uma ginástica respiratória, porém, essa prática não deve conter exageros, seja por excesso ou escassez de ar. O segredo do fôlego está em saber controlar, dosando o uso da musculatura que controla a respiração.

Referências:

Marsola, Mônica. Baê, Tutti. Canto, uma expressão: princípios básicos da técnica vocal. São Paulo: Irmãos Vitale, 2001.

Coelho, Helena de Souza Nunes Wöhl. Técnica Vocal para Coros. São Leopoldo, RS: Sinodal, 1994.

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