Classificação Vocal

A Classificação Vocal é feita a partir de características anatômicas do indivíduo, principalmente com relação ao formato e tamanho da laringe, e de sua tessitura vocal efetiva, isto é, a extensão de notas musicais, da mais grave até a mais aguda, que a pessoa é capaz de cantar com um volume razoável e com coordenação adequada. Nesta região de frequências, a voz é encorpada e bem sustentada.

A Classificação Vocal determina um grupo no qual a voz da pessoa se encaixa. Porém, é muito importante considerar neste momento que cada indivíduo tenha características vocais únicas, tanto com relação ao timbre de sua voz como também sua extensão vocal. Não obstante, a Classificação Vocal é uma ferramenta muito útil por diversos motivos:

  • indica em qual naipe a pessoa deve cantar em um grupo coral como, por exemplo, barítonos ou tenores, contraltos ou sopranos;
  • indica sua posição dentro de um ensemble vocal (quartetos, quintetos, etc);
  • organiza o trabalho técnico que sempre deve começar pela região média e gradualmente progredir, nota por nota, para regiões mais graves ou mais agudas;
  • facilita o trabalho de determinar o melhor tom para cantar cada música.

A primeira separação é feita em três categorias: vozes masculinas, vozes femininas e vozes infantis. Hoje em dia, como consequência de modificações anatômicas que podem ocorrer na laringe após a adolescência como, por exemplo, resultado de tratamentos hormonais, fala-se também em vozes trans.

Dentro das classificações masculinas e femininas, as vozes são mais uma vez separadas conforme sua tessitura. Para se encontrar a classificação vocal, comparam-se as notas que a pessoa canta com as notas de um piano. O piano é organizado de uma forma em que as notas mais graves ficam para o lado esquerdo e as notas mais agudas para o lado direto. No centro do piano está localizada uma nota que chamamos de Dó Central. Observe na imagem a tessitura vocal das classificações utilizadas no canto coral. A tecla indicada na cor cinza é a nota Dó Central.

Temos então as classificações para vozes femininas em Soprano (voz aguda), Mezzo-soprano (média) e Contralto (grave); e para vozes masculinas em Tenor (aguda), Barítono (média) e Baixo (grave). A extensão vocal indicada na imagem para cada classificação considera um cantor profissional bem treinado, no caso de cantores em formação podemos desconsiderar cerca de duas notas nos extremos mais graves e agudos, e ainda, para alunos iniciantes de canto, sua extensão pode ser limitada ao ponto em que se torna indeterminada a sua classificação imediata.

Existem outras classificações menos comuns como, por exemplo, contra-tenor, baixo-profundo, soprano-dramático, tenor-ligeiro, e também casos de cantores que abrangem em sua extensão vocal mais de uma classificação, por exemplo, uma cantora que consegue cantar no registro de contralto e de soprano. Vejamos alguns exemplos:

  • Vozes femininas agudas: Cindy Lauper, Mariah Carey, Cristina Aguilera, Sandy, Gal Costa;
  • Vozes femininas graves: Nina Simone, Elis Regina, Cassia Eller, Amy Winehouse, Maria Bethânia.
  • Vozes masculinas agudas: Steven Tyler, Michael Jackson, Paul McCartney, Bruce Dickinson, Xororó;
  • Vozes masculinas graves: Frank Sinatra, Chris Cornell, Arnaldo Antunes, Zé Ramalho, Barry White.

Para verificar a sua extensão vocal você precisa do auxílio de um professor de canto. O professor vai executar alguns vocalizes (pequenas melodias) que piano e o aluno ou cantor profissional deverá reproduzir com sua voz. O professor vai iniciar o teste em uma região média da sua voz, e então progredir na direção dos graves até identificar o ponto em que as notas não sejam bem articuladas, em seguida o procedimento é repetido só que desta vez na direção dos agudos até o professor identificar o ponto que gera desconforto no cantor ou alguma estranheza no som. Mas lembre-se que o comprometimento com um trabalho vocal irá aumentar a sua extensão vocal e permitirá que você cante notas graves e agudas com maior segurança.